
Billboard 86
No auspicioso dia 25 de junho de 2023, o Brasil foi palco do nascimento musical de Tempestade, cujo álbum inaugural "HIPERBÓLICO" se revelou como uma obra de arte sonora profundamente entranhada nas complexidades dos problemas sociais. Com uma narrativa lírica afiada, o virtuoso cantor e compositor imerge nas entranhas dos desafios sociais, tecendo uma crítica penetrante ao exagero que permeia os tecidos de nossa sociedade contemporânea. O álbum, meticulosamente lançado sob o prestigioso selo da Reunification Media, é uma suntuosa fusão de Hip-Hop, Latin e Trap, com matizes de Gospel e Rock que se entrelaçam de maneira magistral ao longo das 11 faixas que compõem esse impressionante compêndio musical. As colaborações magistrais com artistas renomados, como Heccy, Penelope, Alex Fleming, August Tikiri, Bronx, Naomi e J.Olly, conferem ao projeto camadas e texturas únicas, elevando ainda mais a riqueza e diversidade musical que permeia cada acorde e letra. A epopeia musical de Tempestade, que se desenrola desde sua educação política na infância até sua metamorfose como um artista socialmente engajado, transparece de forma eloquente nas letras do álbum. Todas as canções são muito bem escritas e possuem suas singularidades, mas fica aqui o nosso destaque para as canções “Complexo de Narciso” e “A Peste”. A canção “A Peste”, uma colaboração com as cantoras Heccy e Penelope, emerge como uma poderosa expressão artística, mergulhando nas profundezas dos problemas sociais e alertando sobre o perigo do aumento da maldade, onde o amor de muitos está destinado a esfriar. Tempestade, o visionário por trás dessa jornada musical, tece uma narrativa envolvente que transcende as fronteiras da música, transformando-se em uma crônica social e poética. A canção inicia-se com uma atmosfera sinistra, onde risadas maléficas ecoam, criando um cenário sombrio. O primeiro verso, entoado por Tempestade, descreve vividamente os bueiros imundos da cidade, metaforizando a propagação agressiva das pulgas dos ratos infectados como uma metáfora da contaminação social. O ódio, que deveria se transformar em amor, se torna uma prisão de indiferença e rancor, revelando a corrosão presente na sociedade. No pré-refrão, as vozes de Heccy e Penelope alertam sobre a iminência da linha tênue entre a vida e a destruição, enquanto o refrão, marcado pela voz potente de Tempestade, denuncia a toxidade que infecta a população. A metáfora do sangue denso simboliza as consequências do ódio gratuito, que destrói a preciosa bondade que ainda persiste. O break instrumental oferece uma pausa reflexiva antes de adentrarmos no segundo verso, onde Heccy explora a corrupção de homens bons e a resistência necessária para enfrentar um sistema que busca silenciar vozes dissidentes. A complexidade da luta contra a destruição é habilmente articulada, desafiando a complacência e incentivando a resistência. Penelope, no terceiro verso, destaca a indescritível tríade da fome, inveja e perda, mantendo, no entanto, uma crença firme em Deus. A dualidade entre escuridão e luz é enfatizada, com a certeza de que aqueles que causam dor serão julgados, e o amor triunfará sobre o ódio. A repetição do pré-refrão e do refrão enfatiza a urgência da mensagem, enquanto a descrição visual de valas e corpos cobertos por areia intensifica a gravidade do cenário. O exagero em destilar ódio na vida do próximo é apresentado como um retrocesso para a geração atual. "A Peste" é uma obra-prima que vai além dos limites da música, encapsulando uma poesia social que clama por reflexão e ação. A narrativa arrebatadora de Tempestade, em colaboração com Heccy e Penelope, eleva a canção a uma plataforma mais elevada, transcendendo o entretenimento para se tornar um veículo de conscientização e resistência. Já em "Complexo de Narciso", Tempestade tece uma narrativa poética que aborda a perigosa jornada do protagonista em direção ao abismo da soberba e do narcisismo. A canção mergulha fundo nas águas da reflexão, explorando temas universais de orgulho excessivo e desconsideração pelo mundo ao redor. O primeiro verso apresenta um retrato de guerra soberba, onde o protagonista apunhala todos à sua volta para emergir vitorioso. A espada banhada de narcisismo torna-se sua marca registrada, delineando uma busca obsessiva pelo que ele considera seu direito. O roteiro escolhido para sua vida é caracterizado por uma arrogância estonteante, onde ele é o protagonista e a trama é sobre suas próprias trivialidades. O pré-refrão nos conduz a uma dramática cena onde o personagem principal admira sua própria imagem refletida nas águas cristalinas. Essa cena simboliza a submersão de sua existência, um fim fracassado na incessante busca pelo sentido da vida. O refrão, com sua mensagem contundente, descreve a construção de uma muralha de orgulho e a permanência de uma arrogância que nunca se quebra. O complexo de superioridade percorre suas veias, marcando todos ao seu redor com um olhar de desprezo. O segundo verso revela o protagonista nas margens do rio da futilidade, perdido na admiração de sua própria imagem. Sua obsessão o afasta dos relacionamentos significativos, deixando-o questionando se, no final, alcançará algum lugar. A ponte da canção é um momento crucial, onde Tempestade se apresenta como o mensageiro incumbido de entregar uma coroa impregnada de sofrimento. A coroa, sustentada pela cabeça de Narciso, é marcada pelo sangue do próprio protagonista, simbolizando a auto destruição causada por seu ego desmedido. O refrão, repetido, reforça a inevitabilidade da queda do protagonista. A muralha de orgulho, a arrogância e o complexo de superioridade são elementos que o conduzem inexoravelmente às águas da hybris, onde seu corpo vagará. "HIPERBÓLICO" transcende a mera categorização de um álbum; é uma missão em si. As duas partes distintas do disco delineiam uma estrutura cuidadosamente elaborada, onde a primeira parte destila críticas perspicazes a vários aspectos sociais, enquanto a segunda parte, de maneira inspiradora, instiga a nova geração a ser proativa, incitando mudanças e rebelião contra um sistema imperfeito. A narrativa visual que se desenrola em paralelo ao álbum é uma experiência futurista de tirar o fôlego. Tempestade, como protagonista, embarca numa odisseia através de uma fenda do tempo materializada, confrontando uma distopia enraizada no exagero, egoísmo e na falta de empatia. A metáfora dos óculos de realidade virtual, que desnudam os males da sociedade, reverbera de forma poderosa. A explosão do laboratório simboliza a decidida escolha de Tempestade de romper com essa realidade aumentada, abandonando uma sociedade que se corrompeu. "HIPERBÓLICO" transcende a esfera musical; é um manifesto social eloquente. Tempestade não apenas critica, mas também inspira à ação, convocando a nova geração a esculpir um futuro mais promissor. Com sua narrativa visual única e letras perspicazes, Tempestade estabelece um marco monumental em sua estreia, proporcionando não apenas música cativante, mas também um veículo para reflexão profunda e engajamento social.

The Line Of Best Fit 75
Um cantor muito engajado em suas redes e sempre muito posicionado, chegou na indústria de uma forma que seria impossível não nota-lo. Quem nunca ouviu sobre Tempestade e seus grandes hits políticos? Bom, você provavelmente estava numa caverna. No fim de junho, o cantor latino lançou seu primeiro disco, o intitulado \"HIPERBÓLICO\", album que, seguindo a temática que vinha demostrando em seus singles, conecta-se á temas políticos influenciados por um momento de escuridão que a sociedade passou, o que fez com que o cantor desenvolvesse este projeto devido sua vivência ter sido muito política, herança de seus pais, assim refletindo no cantor a apresentação do seu debut. O album se inicia com um freestyle, direto e sem linhas curvas, que aponta varias problemáticas, desde a homofobia ao machismo, entre outras indignações, servindo de pontapé inicial pra o que poderá ser abordado em seguida. As canções \"Sociedade Hiperbólica\", \"Alienação Epidêmica\", \"Manicômio\", \"A Peste\", \"Ilusão de Óptica\", são grandes parentes próximos, e mesmo com a grande escrita e metáforas bem interessantes, principalmente em \"Sociedade Hiperbólica\" e \"Ilusão de Óptica\", grandes destaques líricos, todas estas possuem como base discutir o impacto de uma sociedade nas vidas das pessoas, que de uma pra outra não se distancia do subgênero; A sociedade transformando as pessoas em egocêntricas, tóxicas, alienadas, entre outros tópicos, porém, assim, não há um aprofundamento sobre o tema; O que leva a sociedade ser o antagonista de tantas narrativas? Que é de conhecimento de todos que esta tem um impacto muito forte na forma da pessoas agirem, pensarem e falarem, é um consentimento universal, mas seria muito mais interessante que Tempestade trouxesse questões que, por muitas vezes, estão escondidas, as causas, motivos e razões, pra uma resolução melhor da problemática e pra que, assim, o ouvinte entenda não apenas o resultado, mas a causa e o desenvolvimento; A segunda parte, muito criativa, ao trazer esse aspecto futurístico e uma viagem ao passado devido o uso de alguma substância na interlude \"Despertai-vos\", que se continua na seguinte canção \"Lapso de Quimera\", há um desejo muito grande de resolução nesta em específico, mas o cantor latino parece não entender qual seria a solução pra os problemas trazidos anteriormente; Com isto, o cantor se limita em achar que ser o assassino de Hitler e Mussolini, ou até ter votado no primeiro presidente negro do Estados Unidos, seria grandes resoluções de graves problemas da sociedade, o que é algo totalmente uma ilusão; Não se sabe se a intensão era corrigir o futuro ou o cantor apenas estava brincando com sua viagem alucinante, mas, no entanto, a brincadeira em sí, da mesma forma, não faria sentido no contexto que o disco traz. Apesar da grande perda de contexto na faixa anterior, a seguinte canção que encerra o disco, a intitulada \"Vândalos & Anarquistas\", com participação da grande rapper J. Olly, traz uma mensagem muito importante sobre o futuro, com conselhos e muita positividade, é a canção mais bem construída do disco e a melhor faixa, sendo um grande encerramento, mesmo com o caminho estreito até a sua chegada. O visual foi produzido pelo próprio cantor junto à, também, cantora Heccy, trazendo um aspecto futurístico muito bem bonito, com imagens que remetem a este objetivo; O encarte não possui uma contracapa, mas nada que impacte gravemente toda a experiência visual muito bem produzida. Em suma, Tempestade é um artista extremamente político e, as vezes, exorbitante, isto porque mesmo com a sua grande inspiração e desejo de politizar e discutir situações problemáticas que envolve a sociedade, trazer vários temas que, muitas vezes, não se conectam e possuem raízes e caminhos diferentes, resultando em algo não muito bem desenvolvido, exatamente por esta quantidade de tópicos; Liricamente é muito bem escrito e se destaca como um grande compositor, mas é preciso delimitar as ideias. \"HIPERBÓLICO\" é um debut ousado, porém cheio de ideias, cheio de narrativas, onde não se chega a lugar algum ou o que se extrai é muito pouco, no entanto, demostra um grande potencial criativo da parte do cantor, porque pra uma criatividade excessiva, os próximos passos são apenas foco e objetivo.

Variety 86
Em seu primeiro álbum de estúdio, Tempestade aposta em críticas sociais e exageros mundanos para narrar uma história que se conecta bastante com o ouvinte não só dos dias atuais, mas pelo percorrer dos anos. O álbum contém composições impactantes em alguns aspectos por lidar com a realidade, e acaba se tornando maçante em alguns momentos; mesmo que relativamente boas. O álbum inicia com a introdução "Terceiro Milênio", onde o artista aborda diversos assuntos sociais de forma precisa e pontual, em bons versos que nos fazem refletir sobre o mundo, sendo uma boa introdução do que vem a seguir. "Sociedade Hiperbólica" encaixa perfeitamente com a sua introdução e através de versos recheados de críticas sociais bem conduzidas, a faixa funciona bem e deixa o ouvinte conectado com seus versos empolgantes. "Complexo de Narciso" se torna uma faixa complexa, mas em alguns momentos acaba pecando na base lírica, como no primeiro verso da canção, deixando um pouco a desejar em relação aos outros versos da canção, que funcionam melhor. "Manicômio" é empolgante, com versos inteligentes e se destaca como uma das melhores faixas do álbum; a música faz boas referências e utiliza boas metáforas. "A Peste" traz um novo ar, dessa vez criticando os hábitos da indústria musical, e contém versos interessantes; porém a música funcionaria melhor solo. Os versos de Penelope e Heccy são bons, mas os versos solo do artista soam tão frescos e se sustentam por si só, que a adição de duas parcerias não pareceu necessário. "Ilusão de Óptica" mostra uma mensagem pontual, e a parceria funciona melhor do que a anterior. "Oração Silenciada" é o grande sucesso do álbum e não fica atrás em quesito lírico; a letra é inteligente, bem estruturada e todos os artistas presentes mostram versos interessantes no contexto geral da canção. Após o interlúdio, Tempestade inicia com "Lapso de Quimera" e ganha pontos pela criatividade. A faixa mergulha em um mundo de alucinações e o diferencial é a forma que a composição é conduzida. Seu refrão é o menos empolgante da canção, mas também é o ponto demonstrativo da ideia. A faixa final, "Vândalos e Anarquistas", encerra o álbum de forma pacífica com uma mensagem social para a nova geração, soando um pouco anti climático como final da história contada. Seu visual é fascinante, criativo e as cores trazem um ar superior ao álbum em um mundo apocalíptico. O "HIPERBÓLICO" mostra que Tempestade tem potencial enorme para contar histórias e críticas sociais em diversos momentos da sua vida, e várias delas podemos sentir que o seu potencial foi devidamente utilizado como compositor. Em meio a memórias, histórias e críticas, Tempestade entregou um bom álbum de estreia, que apesar de alguns deslizes citados anteriormente, se destaca como um grande álbum de estreia.

The Boston Globe 87
Após conquistar o mundo com seus singles, o álbum de estreia intitulado "HIPERBÓLICO" do cantor brasileiro Tempestade é oficialmente lançado. O álbum incorpora influências da cena hip-hop e do funk brasileiro mescladas com o hip-hop difundido internacionalmente, agregando um imenso valor a sonoridade e trajetória do disco. O álbum se inicia com a faixa "INTRO (Terceiro Milênio)", que oferece uma breve síntese dos temas que serão explorados ao longo das próximas músicas. No entanto, é na conhecida faixa "Sociedade Hiperbólica" que o panorama começa a se desenrolar, marcando o primeiro momento em que o artista mergulha profundamente em sua lírica e na narrativa que propõe. Essa segunda faixa cria uma excelente primeira impressão e valida sua seleção como a faixa principal. "Complexo de Narciso" se destaca por seu conteúdo substancial e refinado, em que a temática militante caminha para um universo mais distinto e carregado de referencias que enriquecem a sua lírica. A primeira colaboração do álbum, "A Peste", reúne Tempestade, Heccy e Penelope, uma fusão que poderia ter funcionado em outro contexto. É inegável que o casal possui uma conexão pessoal e artística, o estilo lírico de ambos caminham juntos e são complementares, o que acaba causando uma estranheza quando nos deparamos com os versos de Penélope, que parece não acompanhar os dois. "Lapso de Quimera", uma música que se desenrola durante um episódio alucinógeno para criticar o vício em drogas, chama a atenção não apenas pelo seu conceito ambicioso, mas também pela execução caótica. Se o ouvinte estiver atento, irá notar uma contradição na narrativa: a fetichização da violência, um elemento criticado em em faixas anteriores é agora trazida como uma base para faixa. As vezes encarada como uma falha, a contradição no contexto de "HIPERBÓLICO" é bem-vinda e até agrega para construção da narrativa. Sendo intencional ou não, funciona sem distanciar o ouvinte da realidade do disco. Liricamente não é um destaque e nem sua melhor faixa, mas com certeza é uma das melhores em termos conceituais e criativos. Os visuais do álbum, co-produzidos por Tempestade e Heccy, são hiperbólicos. Com uma gama diversificada de temas a serem explorados, o artista busca incorporar elementos cyberpunk e sci-fi. As imagens, por vezes, se harmonizam, enquanto em outras ocasiões deixam o caos transparecer. O design, diferente dos apresentados nos singles, mostram polidez e coesão com o trabalho que está sendo apresentado como um todo. Uma das poucas situações em que "mais" é realmente mais. Em síntese, "HIPERBÓLICO" emerge como um ótimo debut album, ele se destaca por entrelaçar habilmente a profundidade lírica e a exploração visual. A mistura de colaborações e a energia intensa das faixas solo culminam em um álbum coeso que cumpre sua missão de introduzir Tempestade na cena musical. Com letras cativantes e uma narrativa que percorre dilemas e perspectivas variadas, "HIPERBÓLICO" demonstra a criatividade de Tempestade ao contar sua história.
TIME 90
Após obter êxito com suas faixas previamente lançadas, "HIPERBÓLICO", álbum de estreia do cantor brasileiro Tempestade, é oficialmente lançado no final do Ano 10. O disco que busca em seus versos muito da influência proporcionada pela cena hip-hop, traz consigo um suspiro de novidade para o gênero, que ainda mescla com uma sonoridade regional do artista. O album inicia formalmente com a "INTRO (Terceiro Milênio)", uma pequena síntese dos tópicos que serão abordados nas próximas faixas. Mas é na conhecida "Sociedade Hiperbólica" que vemos as coisas começarem a acontecer, sendo esse o primeiro momento que de fato o artista se aprofunda em sua lírica e na narrativa que ele está propondo, o que torna a segunda faixa uma excelente primeira impressão e justifica sua escolha para ser o lead. Seguindo com o album nos deparamos com "Complexo de Narciso" e "Manicômio", ambas as faixas com um apelo lírico muito bem estruturado e coeso, sendo "Complexo de Narciso" um verdadeiro banquete em conteúdo e produção. Finalmente chegamos na primeira faixa colaborativa do disco, "A Peste" é uma parceria com Heccy e Penelope, artistas conhecidas por seus trabalhos aclamados e que nesse contexto contribuíram de modo bastante positivo para o enredo sendo moldado por Tempestade. Logo em seguida, chegamos em "Ilusão de Óptica", uma parceria com um dos compositores mais bem sucedidos da indústria, Alex Fleming, não sendo diferente de seus projetos pessoais, Alex entrega versos sóbrios e bem desempenhados, tendo ambos os artistas dividindo uma harmonia bastante louvável. A emblemática e já conhecida "Oração Silenciada" é um dos momentos mais altos do album, e não somente por conta do time de peso convocado pelo brasileiro, mas por conta de sua lírica necessária e suas críticas bem executadas. "Alienação Epidêmica" da continuidade nos assuntos já apresentados em diversos e diferentes momentos do album, e serve como um enriquecimento da narrativa sendo trabalhada até o momento. A "INTERLUDE (Despertai-vos)" surge como uma espécie de Epilogue, onde encontramos um conteúdo que nos direciona para um outro olhar sobre as questões que fomos apresentados até então. "Lapso de Quimera" é uma das canções mais curiosas e também um dos grandes pontos altos do projeto, sendo uma verdadeira viagem para o ouvinte, o que segue dentro da proposta da faixa em descrever uma experiência alucinógena motivada pelo desejo de reparação de erros do passado. A faixa também está conectada diretamente com "Vândalos & Anarquistas", faixa que encerra o disco com chave de ouro, a canção ainda conta com a participação bem aproveitada de J.Olly que entrega em seus versos, ao lado de Tempestade, um conteúdo bastante redondo, que finaliza a narrativa com êxito. O visual do projeto trabalha em sua paleta de cores bastante vermelho e azul, cores que remetem a símbolos da cultura popular que representam a escolha entre abraçar a verdade às vezes dolorosa e a ignorância abençoada, termos popularizados pelo filme de ficção científica, Matrix. O que casa com a proposta tecnológica encontrada nas páginas do encarte e traz sentido para a narrativa criada para ele, mesmo não sendo uma referência citada diretamente. Tempestade consegue ser pontual com sua proposta e demonstra ter domínio sobre a sua escrita. O conteúdo lírico encontrado na maioria das faixas servem como uma demonstração do potencial do artista e a habilidade dele de transformar suas críticas em poesia. "HIPERBÓLICO" é um debut que surpreende por sua criatividade e sua maneira única de contar uma narrativa que consegue ser tanto lírica quanto visual.

Pitchfork 80
O grande disco de estreia do cantor brasileiro finalmente está nas prateleiras e em todas as plataformas de stream. \"HIPERBÓLICO\" já demostrava seguir o raciocínio dos seus singles anteriores, visto que o cantor possui uma grande paixão por trazer canções mais engajadas em críticas sociais, e, de fato, foi exatamente o que aconteceu. Com um visual futurístico, onde Tempestade fica preso em uma realidade problemática, tendo que lidar com problemas sociais que, este, considera uma visão muito errada. No entanto, a sociedade em sí é problemática do jeito que ela é, e lidar com todas as pautas negativas que liga o conceito visual do disco, não é algo distante da realidade, é algo real. Porém, o visual é muito bem feito e chama a atenção do ouvinte, mesmo com esse deslocamento de pensamentos. O disco é recheado de canções com pautas sociais, algumas que refletem problemáticas visíveis, outras demostram um certo incômodo do cantor sobre formas de lidar com pessoas, no qual, este acredita ser um problema social, mas dependendo da visão é um angústia pessoal. As canções \"Sociedade Hiperbólica\", \"Vândalos e Anarquistas\" e, especialmente, \"Manicômio\", são os grandes destaques líricos do album, essencialmente a ultima citada, que de acordo com o artista, foi uma das primeiras canções feitas e transmite esse inicio do que seria o conceito do album, ou um caminho, possuindo uma energia inocente e criativa e, também, um compositor com vontade de trazer algo especial. Por outro lado, esse caminho acabou encontrando obstáculos, principalmente na forma como o cantor aborda suas canções, confundido o ouvinte sobre a sua verdadeira intensão e seu alvo crítico, assim como canções que se esforçam pra se destacar com palavras não utilizadas no cotidiano e exagero de metáforas, na tentativa de soar mais elaborado, o que, no fim, deixa a canção cansativa, como por exemplo na canção \"Ilusão de Óptica\". Por fim, \"HIPERBÓLICO\" é um album de estreia com características fortes e não há como dizer que não possui personalidade, ela está presente, apenas é executada de uma forma intensa, quando na verdade o simples, o didático e direto acaba saindo bem mais convincente.

Spin 76
HIPERBÓLICO (estilizado em caixa-alta) é o debut album do artista brasileiro Tempestade, lançado sob bastante expectativa do público que o acompanhou até o momento — pessoas interessadas no quão afiado Tempestade poderia ser liricamente e visualmente. Os dois primeiros singles da era capturaram exatamente esse sentimento compartilhado: da visão de mundo que o mundo tinha dele, e a que ele tinha do mundo. "Sociedade Hiperbólica", lançada em meio a protestos de grupos midiáticos conservadores, bateu de frente com esses confrontos, liricamente narrando a exata hipocrisia dos que tanto querem o mundo para si, mas que não pensam no próximo no meio desse planejamento. "Oração Silenciada", colaboração com August Takiri, Bronx e Naomi, traz uma crítica social equiparável ao do lead single, mas com o foco na perseguição à comunidade LGBTQ+ (como em "o beijo de paixão que entrego ao meu amado / é comparado com o de Judas"). Os visuais da obra, co-produzidos entre Tempestade e sua esposa Heccy, são caóticos, no bom sentido; com uma diversidade de temas a serem explorados, o artista buscou trazer elementos de todos eles dentro do encarte, em fotografias que ora funcionam, ora deixam a impressão de que os caminhos divergiam entre si. Com o álbum completo em mãos, vemos que Tempestade quis exercer suas composições em cima do máximo de temas sociais possíveis. Em certos momentos, essa tática funciona, especialmente quando o artista vai atrás de temas mais intimistas e menos gerais; "Complexo de Narciso", single lançado junto com o álbum, se constrói quase como uma shady song, mas não para alguém específico e sim para um tipo específico de pessoa, aquela que ignora o mundo à sua volta e se firma em um mundo próprio que não existe apenas para satisfazer suas vontades pessoais, aquelas que ninguém mais aceitaria fazer ("a sua admiração por si próprio te matou e continuará a te matar"). Em outros casos, como em "INTRO: Terceiro Milênio", ocorre a primeira das situações em que o artista experimenta se inserir dentro de cenários onde absolutamente não cabe a presença de um narrador observador. Quando ele diz "acordo pela manhã e me deparo com o jornal onde o choro de uma mãe é a notícia principal", o destaque tenta ser a notícia, mas por outros meios de pensamento, o ouvinte percebe o privilégio do protagonista dentro da história. "Manicômio" é uma das faixas que funcionam num meio-termo entre os extremos explorados, com frases como "ladrões de intelecto, bandidos da compreensão / o hospício está vazio e as mentes, a ponto de surtar" deixando mais perguntas do que esclarecimentos. "Lapso de Quimera", canção ambientada durante um episódio alucinógeno para retratar, de forma crítica, o vício em drogas, acaba se destacando não por seu conceito ambicioso, mas pela sua execução controversa em versos como "esfaqueei o filho da puta do Hitler / estrangulei o abjeto chamado Mussolini", que, por mais que tenham sido feitos na intenção de chocar dentro da alucinação do narrador, chocam mais por irem justamente contra o que o álbum todo prega — a violência que o narrador abomina nas faixas anteriores é a mesma que ele coloca em um pedestal de fetiche no verso referido. A última faixa, "Vândalos & Anarquistas" (colaboração com a rapper J.Olly), é de longe a faixa mais pessoal do artista aos olhos do público, quando se leva em conta que o primeiro verso abrange as facetas da criação da pessoa Tempestade contra a figura pública Tempestade. É o encerramento perfeito para HIPERBÓLICO, um álbum que passeia pelas mais diversas facetas da sociedade enquanto expõe o ponto de vista do artista em relação a todos os dilemas destrinchados. Cumpre sua missão de mostrar as intenções de Tempestade dentro da cena musical, enquanto deixa nas mãos do ouvinte a decisão de ir com ele ou contra ele.

American Songwriter 85
"HIPERBÓLICO" é o álbum de estreia do cantor Tempestade, predominantemente embasado no Hip-Hop latino e contando com influências do trap brasileiro. Lançado dia 22 de Junho, o artista do selo Reunification Media propõe um disco repleto de mensagens sociais, críticas e reflexões sociopolíticas. A intro "terceiro Milênio" abre o disco com um freestyle improvisado e pós-mixado de um podcast, fato que reflete o ar de "não precisava" que a faixa possui. A track não funciona, mas "Sociedade Hiperbólica" chega e o disco engata. A segunda faixa é extremamente política, forte e encantadora. Tempestade carrega um flow conciso e prático, passeando por raízes da MPB e rimando linha por linha em seus versos de rap recheados de informação. Em especial, o refrão carregado de interrogações torna a obra um prato muito bem servido de poesia e sociologia. A quarta faixa "Manicômio" é excepcional. O primeiro verso é milimetricamente rimado, como num hip-hop intenso, cercado de metáforas e deixando claro que a ideia do manicômio vai além de falar sobre pressão psicológica, mas sobre como é real o crime de assassinar mentes sem deixar pegadas. Já em "A Peste", colaboração com Heccy e Penelope, a sanguinolência exacerbada mistura versos semelhantes a um gospel que busca pela esperança e pela fé, em meio a toxicidade social. O break pop quebra a canção em duas vertentes, uma boa e uma ruim, que no segundo caso incluiu a participação das artistas em versos de pop que não combinam com o gênero e mensagens líricas que não soam naturais. A faixa não parece refletir conexão entre o trio, parecem versos bagunçados dentro de uma só canção. Elevando o nível, "Ilusão de Óptica" é uma tremenda colaboração com Alex Fleming que se assemelha a Sociedade Hiperbólica no índice de perspicácia. A canção é apocalíptica, sendo introduzida por um primeiro verso avassalador, porém, o ápice está no pré-refrão e no refrão. A referência a Ultron e ao Visão encaixam perfeitamente e o coro com as ideias do espiral e sobre ser hipnotizado pela massa a serem pessoas veladamente preconceituosas fazem da canção merecedora de diversos prêmios. Alex Fleming fomenta o financiamento da mensagem com a ideia de investir no extremismo daqueles que impulsionam a maldade, já que a capacidade de contrariar é passível da letalidade. O single vencedor do grammy "Oração Silenciada" serve como continuação, mas dessa vez num âmbito que envolve principalmente a comunidade LGBTQIAPN+. O featuring entre Naomi, Bronx e August Takiri tendo como lead Tempestade, é a tentativa principal do disco de entregar o hino de alguma causa, e consegue. As duas próximas faixas seguem o caminho de algum tipo de militância. "Alienação Epidêmica" embasa-se num hip-hop em crítica ao governo de Jair Bolsonaro e "Lapso de Quimera" possui uma interessantíssima viagem no tempo, a ponte de realizar desejos e ações históricas, porém sempre com um fio na realidade. O encerramento é validado por "Vândalos e Anarquistas", em colaboração com a africana J.Olly, que une toda a vagem lírica do álbum numa conclusão esperançosa de que a geração futura revolucionará o que deve ser conquistado. A abordagem geral do disco entre puro ativismo e militância, com momentos de melancolia como em "Oração Silenciada", agressividade como em "Ilusão de Óptica", poesia como em "Manicômio" e responsabilidade, como na melhor faixa "Sociedade Hiperbólica". Por aqui, o descarte está apenas em "A Peste" e na "Intro". A produção visual comandada por Heccy é futurística e une a cor fria azul e a cor quente vermelho, unindo extremos para algo maior. Embora a fotografia, a tipografia e os efeitos visuais prevaleçam como pontos positivos, determinadas decisões incrementadas no encartes são equivocadas, como na segunda página onde há alguns tubos que levam as costas de Tempestade e ele apenas posa para a câmera, sem drama. É claro aqui, por exemplo, a falta de uma direção artística. Algo semelhante acontece com o cantor na cama, sem camisa na página da sentimental "Oração Silenciada". Por fim, o álbum de estreia do cantor brasileiro é um drink caro e cercado de história e movimentações, com assuntos interessantes e bem colocados e pecando, vez ou outra, em como abordá-los.